Hoje não trabalhei. Fiz-me à estrada, sem muita vontade, rumo ao campo. Anos a fio a fazer esta viagem. Quase sempre a direito, nada que enganar. A1 fora, umas alturas mais depressa outras mais devagar.Rádio ligado, alternando entre estações. Janela entreaberta que o calor era algum e não valia a pena ligar o AC. Tudo normal, tudo a andar. Sem trânsito. Tocam os Muse, aumenta-se o volume. Chegam as notícias, muda-se de rádio. Selfish love numa rádio local. A memória imediatamente fez das suas e sorri. É sempre assim. Logo a seguir, numa sequência musical nunca vista, aparece a Joanna brasileira com o seu Amor Bandido. Dou por mim a cantar a plenos pulmões "pode o mundo se acabar, que vontade de te dar, o meu amor que eu guardei pra gente". Olho para a placa que me diz que falta pouco menos de 1000 metros para a A23. "Eu me acostumei demais, nosso amor ninguém na vida faaaaaaazzzzzzzzzz", sorri outra vez ao som disto. Pensamentos ao rubro. Imaginação em delírio. Alegria. Controlo motor muito grande para não pegar no tlm. Olho para o banco do lado, onde ele está pousado. Levanto os olhos e vejo que me escapou ali qualquer coisa. Boa, foi a saída para a A23. Lá estava ela a desaparecer no meu espelho retrovisor. Merd@, merd@, merd@. Next stop: Fátima. Mais uns kms a praguejar contra mim mesma pela falta de atenção e pelos pensamentos do demo que me tiram da rota. Já sem rádio por causa das tosses. Inversão de marcha na rotunda dos Pastorinhos. Ainda pensei em ir rezar 3 Avé Marias para me redimir de alguma coisa, mas não fui. Grande concentração para achar a saída certa. Como se fosse díficil de ver a placa a dizer A1. 2 voltas à rotunda depois, lá dei comigo no caminho certo. Ainda a praguejar, mas no caminho certo. E voltei a sorrir... ao lembrar-me que era a segunda vez que aquilo me acontecia no espaço de um ano.
Serão estas idas forçadas a Fátima um sinal?
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sexta-feira, 4 de junho de 2010
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